
Reinaugurando a seção de Entrevistas do Superdownloads, batemos um breve papo com o Diretor da SiliconAction, Alex Hoffmann. Conversamos sobre mercado, softwares, tendências, pirataria, tipos de distribuição e muito mais...
Superdownloads: Como e quando surgiu a SiliconAction?
Alex Hoffmann: Antes da Internet sair das universidades, os repositórios de sharewares já eram populares. Durante a faculdade de Informática, além de desenvolver pequenos programas e distribui-los pela rede que surgia, começava a surgir a necessidade de adquirir sharewares estrangeiros. Quando pela primeira vez tive que registrar um shareware, foi desanimador o trabalho de enviar o vale-postal internacional para o fabricante, que foi extraviado e então recuperado pelos Correios quase dois meses após o envio. Foi então que, em 1996, quando me formei, resolvi abrir uma empresa de representação de sharewares, para que usuários brasileiros pudessem comprar com segurança e rapidez, através de várias formas de pagamento. E, principalmente, com os melhores preços do mundo. Temos parcerias exclusivas com os fabricantes, o que nos permite garantir os melhores preços do mundo para todos os sharewares que vendemos.
SD: Qual a gama de produtos e serviços da mesma?
Alex: Atualmente comercializamos 226 sharewares, com novas inclusões todas as semanas. Sempre que descobrimos um bom shareware, vamos atrás para colocarmos em nosso site. Além disso, oferecemos serviços on-line, como o Get@Forum, serviço de fórum para homepages, e o PageGuard, que permite a criação de áreas restritas de um site a assinantes.
SD: Quais os softwares que a empresa representa no Brasil?
Alex: Representamos as principais empresas de sharewares do mundo. É bom lembrar que os sharewares nacionais têm grande participação em nosso site atualmente, recebendo de nós a mesma atenção que os estrangeiros.
SD: As pessoas procuram mais por softwares estrangeiros em português ou por softwares nacionais?
Alex: Não há uma tendência clara. As pessoas procuram por softwares de qualidade em português, sejam eles estrangeiros ou nacionais. E, quando não há similar em português, os softwares em inglês também tornam-se populares.
SD: Qual o software mais popular?
Alex: Nosso carro-chefe é o GetRight, o gerenciador de downloads mais popular do mundo, o qual representamos desde as primeiras versões em 1997.
SD: São vocês que traduzem os softwares?
Alex: Sempre que o fabricante estrangeiro mostra interesse no Brasil, e acreditamos que o software traduzido será mais aceito, fazemos a tradução. Foi o caso do GetRight, GIF Movie Gear, Anfy Java, TurboZIP 4, TurboZIP Express, Turbo Browser 2000, WinAccelerator e InstantUpdate. Mas muitos outros foram traduzidos por empresas contratadas diretamente pelo fabricante, com a nossa ajuda, como é o caso do ACDSee, por exemplo.
SD: E a pirataria? Tem incomodado muito?
Alex: Os usuários que compram sharewares dificilmente passam seu código de registro adiante, mesmo porque pagaram por ele. O problema maior são os geradores de códigos de registro (crackers) distribuídos pela Internet. Mas não nos preocupamos muito com isto, pois acreditamos que quem quer legalizar seu software irá comprá-lo mesmo tendo acesso a cópias piratas, e quem não quer pagar pelo registro não o fará mesmo se não houver códigos ilegais sendo distribuídos. Mas é claro que, periodicamente, fazemos uma busca na Internet por códigos ilegais e solicitamos aos fabricantes o bloqueio, para que não possam mais ser usados.
SD: Você acha que os preços baixos dos sharewares e facilidade na aquisição das licensas de uso contribuem para a diminuição da pirataria?
Alex: Sim, mas não acabam com ela. Não importa o preço ou as facilidades de pagamento, haverá sempre pessoas que se apropriarão da propriedade intelectual de outros sem pagamento de royalties. Esta frase parece um pouco forte, mas, pela natureza abstrata dos softwares, as pessoas não percebem que, ao usarem uma cópia ou código pirata, estão usufruindo gratuitamente de dias, meses ou anos de trabalho de um programador.
SD: O que você espera do futuro quanto à distribuição eletrônica de softwares?
Alex: Se esta pergunta fosse feita no começo do ano passado, diria que o futuro era promissor para os adwares. Adwares são programas patrocinados por anúncios publicitários que são exibidos durante a execução, sendo que os anúncios podem ser removidos após o registro. O GetRight se tornou um adware já que o principal concorrente estava ficando popular através desta forma de distribuição.
No início do ano passado o lucro com os anúncios já estava quase alcançando o lucro com os registros do GetRight, mas com a crise das empresas pontocom o dinheiro da publicidade quase que desapareceu, fazendo com que empresas que dependessem desta forma de renda passassem dificuldades (na melhor das hipóteses), o que felizmente não foi o caso da SiliconAction, que sempre acreditou que a única forma de garantir o bom desenvolvimento de um produto é o seu financiamento através da venda.
Acredito que o futuro dos sharewares já pode ser observado hoje, com empresas desenvolvendo softwares iguais ou melhores do que os vendidos comercialmente em caixas, com preços menores graças à economia com a distribuição.
SD: Para terminar, você acha que as novas tecnologias como a plataforma .NET da Microsoft poderão acabar com a distribuição como ela é realizada hoje?
Alex: Acredito que as as diversas formas de distribuição irão conviver juntas, cada uma com suas vantagens e desvantagens.