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Desde os primórdios de seu desenvolvimento, o Superdownloads apareceu com uma proposta clara e objetiva para os internautas luso-brasileiros: oferecer o melhor repositório de programas disponíveis para a Internet de forma organizada, variada e no idioma de Fernando Pessoa. O tempo passou, a Internet evoluiu e, modestamente, acreditamos que a primeira das metas já está cumprida. Entretanto, não podíamos deixar de notar como evoluiu a ideologia dos fabricantes de software em relação à Internet e à venda de seus produtos ao cliente final. Aqui, nós conseguimos definir algumas fases comerciais (ou e-comerciais) que de um modo geral também mostram os caminhos imprevisíveis pelos quais a Internet trilhou.
Como tudo o que ocorre em meios digitais, você pode reparar como são curtos os quatro grandes períodos que funcionam como divisores de águas na distribuição de software online. 1988-1994: Os tempos do velho e bom DOS Em matéria de idade, os sites de download já estão bem velhinhos. O Jumbo.com é um dos mais antigos serviços em questão, muito embora sua qualidade seja bem questionável. Na época de 1988 até 1994, quando o Windows começou a explodir, os programas e jogos para DOS dominavam a cena de softwares. Nessa época, que coincide com a chegada da Internet no Brasil, também começaram a se difundir os conceitos shareware e freeware. O shareware apareceu como uma modalidade de software com funcionalidade restrita (naquela época o restrito era bem enfático) cujo objetivo primordial era assediar o internauta para que ele comprovasse as habilidades do programa e depois comprasse a licença da versão completa. O conceito de shareware naquela época era bem diferente do que hoje aplicamos. Um shareware da era jurássica da informática normalmente tinha funcionabilidade bem limitada e não permitia ao usuário, nem por um tempo determinado, usufruir as qualidades do software. Isso, infelizmente ainda é repetido por muitos desenvolvedores brasileiros, que, por causa da defasagem com que chega a informação ao país, insistem em velhos e superados conceitos. Na mesma época do shareware, apareceu o freeware, software distribuído pela Internet sem ônus para o usuário e sem limitações de uso. Todavia, na época em que estamos nos mirando, a incidência de freewares na Internet era bem reduzida. 1994-1997: A época das experimentações Com a Internet se expandindo aos borbotões, os fabricantes de software perceberam que precisavam de novos artifícios para seduzir seus compradores em potencial. Começaram então a surgir, no lugar daquele shareware frio e inútil, variações do shareware: trialware, versão que funciona como um programa completo dentro de um tempo determinado; softwares como limitação por quantidades de usos; natureware, um tipo de freeware que pede doações para entidades ecológicas; guiltyware, software que não restringe o funcionamento, mas fica pedindo uma "contribuição" ao autor do programa; e o "nagware", que fica exibindo pedidos de registro (como o Real Orche) e só pára de mostrar os anúncios quando você paga. De 1994 a 1997 também muitos egressos de universidades começaram a montar seus portfólios pessoais a fim de se empregar em cobiçadas companhias. Atrás de uma boa remuneração, esses jovens talentos soltavam softwares gratuitos (freeware) pela Internet com a finalidade de aumentar sua reputação no meio acadêmico. Por isso, nessa época se viu a maior enxurrada de freewares vagando pelos canais da web. Sorte do usuário. 1997-2000: A política muda O tempo demonstra aos produtores do softwares que soltar versões inúteis de seus programas já não atrai os usuários: pelo contrário, irrita, frusta e afasta o potencial comprador, de tal modo que é melhor não possuir shareware do que uma versão capenga do software. A solução que os empresários do software encontraram: fazer dois programas: um que funciona total e gratuitamente e outra, com muito mais recursos, comercial. Assim, por exempo, um fabricante de programas para mala direta libera uma versão FREEWARE de seu software de impressão, mas, ao mesmo tempo, faz publicidade de um programa deluxe, com recursos para enviar mala direta por e-mail, modelos pré-configurados, vários tipos de relatórios e assim por diante. O usuário que usou gratuitamente o primeiro programa e se encantou, provavelmente vai gastar um pouco com a versão comercial da coisa. Outra prática comum nesse período chama-se ADWARE. Não faz qualquer limitação ao software, mas apenas insere um banner dentro do programa, fazendo publicidade dos patrocinadores e associados do software. Por exemplo, o programa MR. MANAGER e outros nacionais trabalham com esse esquema. Quem acaba pagando pelo produto é quem faz a veiculação da publicidade, já que é este que vai repassar um valor fechado para o fabricante do software de acordo com os cliques do internauta dentro do programa. 2001- até nossos dias: A Ascensão de Stallman Segundo Stallman e a Fundação do Software livre (ambos já são velhos, mas só ganharam atenção da mídia agora), o software é uma informação científica que deve ser aberta a colaboração. Segundo ele e seus pupilos, o software não só deve ser gratuito como também sua documentação e códigos-fontes devem ser disponibilizados para que os "cientistas da computação" dêem sua contribuição ao mundo da informática. Utopia? Para os padrões brasileiros, o modelo concebido por Stallman ainda pode estar longe do economicamente viável, mas a franca aceitação do Linux, baseado no modelo de Stallman, demonstra que há uma tendência irreversível de libertação do software. Para o bem e para o mal. Visite o site www.freesoftware.org e confira, com sua incredulidade, como o modelo de Stallman está se alastrando inclusive para os softwares para Windows. Quando questionado de como sobreviveriam as empresas baseadas em software, Stallman concluiu que o suporte técnico, os software encomendados (personalizados), os distribuidores, os documentadores técnicos e os fabricantes do software de construção de programas, sobreviverão. Enquanto isso, assistimos de camarote a hackers e universitários despejarem suas proezas intelectuais de forma livre na Internet, esperando qual vai ser o novo passo dessa conturbada salada de bits. Talvez, o download de softwares ganhe mais impulso com a expansão do 3G e PDAs (computadores portáteis). Ou, quem sabe, voltemos à época do vinil e da fita magnética. |
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