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Antes de analisar o novo sistema a ser lançado pela Microsoft, é necessário comentar alguns conceitos que, para muitos, ainda é uma incógnita. Se há três anos tínhamos somente o Windows 95 e o Windows NT 4.0, hoje em dia temos Windows 95, 98, 98SE, Me, NT, 2000 e, agora, XP. Isso sem contar que o NT se subdivide em Server e Workstation e, o 2000, em Professional, Server, Advanced Server e Data Center. E ainda existem mais algumas versões, mas essas são muito específicas, utilizadas em ambientes corporativos em casos muito especiais, como NT Terminal Server Edition e Windows NT Enterprise Edition, por exemplo.
Realmente, para leigos isso deve ser uma zona sem tamanho mas, calma, pois irei desvendar o que significa tudo isso. Há alguns anos atrás, a Novell, através de seu sistema Netware, dominava 80% do mercado das redes corporativas. A Microsoft dominava apenas o mercado dos desktops mas, seu melhor representante, Windows 3.11, não tinha a menor chance de penetração corporativa, pois não era um sistema voltado para redes e, pelo contrário, possuia diversas limitações críticas. Foi decidido, então, criar um novo sistema capaz de fazer frente com o Netware, OS/2, Unix, e quaiquer outros sistemas com capacidades de administração de redes. Bill Gates montou uma equipe, liderada por David Cutler, e exigiu alguns objetivos: O sistema teria que se integrar com qualquer outro sistema operacional de rede. Isso se justifica pois o processo de migração, especialmente em empresas de grande porte, é lento e gradual. De que adianta montar alguns servidores que não se comunicam com o restante da rede por esta ser formada em sua maioria por outros sistemas? O sistema teria que ter segurança a nível de usuário e capacidade de validar logons de rede. Isso significa que administradores da rede poderiam legar direitos e permissões de uso e acesso aos recursos da rede. Imagine uma empresa monstruosa, com centenas de filiais, dezenas de milhares de funcionários e todos, do faxineiro ao presidente, tendo os mesmos direitos de acesso aos recursos. Impossível de trabalhar, certo? O que ia rolar de vinganças de funcionários descontentes, vazamento de informações confidenciais, e etc, não ia ser brincadeira! Além disso, é necessário se logar para ter acesso aos recursos. Quando um usuário se loga, através de username e senha, o sistema lhe confere todos os direitos e permissões de acesso. O sistema teria que ser tolerante a falhas. Imagine, por exemplo, um grande banco, de uma hora para outra, perdendo todas as suas informações... Catástrofe é pouco... Com esses e outros "goals" em mente, foi desenvolvido o Windows NT que, para quem não sabe, significa New Technology. Também existe uma versão curiosa sobre a origem desse nome. Cutler veio da Digital, onde trabalhava no desenvolvimento do sistema Open VMS. Uma das estratégias da criação do Windows NT era que o sistema fosse tão robusto e seguro quanto o Open VMS. Se pegar a palavra "VMS" e mudar as letras para as próximas, em ordem alfabética, o que terá? "WNT", ou Windows NT. Logicamente, o NT possui diversas falhas e limitações, mas foi o que se pode conseguir, para a época. Possui conectividade com sistemas OS/2, Netware, sistemas compatíveis com POSIX-1 (Unix e derivados, como Linux, Solaris e etc), e outros sistemas da própria Microsoft, como Windows 16 bits (3.11), Windows 32 bits (95) e DOS. Trabalha com dois tipos de partição, FAT e NTFS, sendo que essa última proporciona segurança a nível de usuário. Proporciona tolerância a falhas através da implementação controlada por software Redundant Array of Inexpressive Disks (RAID) através dos níveis 1 (mirroring / duplexing) e 5 (strip set com paridade), embora suporte também raid nível 0 (disk striping) e strip set sem paridade, que não fornecem tolerância a falhas. Foi lançado em duas versões, embora ambas sejam o mesmo produto, apenas com recursos diferentes. Server é a versão voltada para servidores e, Workstation, é a versão para estações de trabalho. Para ir acostumando empresas e usuários com o novo sistema, foi necessário atualizar o Windows 3.11. Tornou-se mais robusto, com mais recursos, 32 bits e... com "a cara e o jeitão" do Windows NT. Estava lançado, então, o Windows 95, um sistema voltado ao uso doméstico, com nenhuma ou baixa capacidade de proporcionar segurança ou tolerância a falhas, limitações diversas mas que, com sua enorme penetração nos desktops espalhados pelo mundo, ajudou a popularizar o Windows NT, convencendo patrões e administradores que valeria a pena tentar a migração ou, pelo menos, a integração do sistema da Microsoft nas redes já existentes. Continua na próxima página |
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