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Porque a Microsoft não deveria entrar no mercado de antivírus?

Embora seja uma empresa admirada, a Microsoft comete erros e, pior, repete os mesmos erros.

Da redação em 17/Jul/2006

A Microsoft é uma das empresas que mais tenho admiração, mas é necessário admitir que ela comete alguns erros. E também repete os mesmos erros. Vamos voltar no tempo e tentar explicar melhor esta situação:

No final da década de 80 e começo da década de 90, quando o MS-DOS ainda reinava, a Microsoft embutiu um antivírus "próprio", na versão 5.0 do MS-DOS. Na verdade, ela tinha licenciado o CPAV - Central Point Antivírus da empresa Central Point e o transformou-o em MSAV - Microsoft Antivírus. Nesta época, os vírus ainda não eram em quantidade muito abundante, mas a Microsoft já se preocupava com o assunto, de forma que tentava melhorar a "imagem" do MS-DOS, fazendo-o ser mais seguro "já de fábrica". Com isto, surgiram críticas do tipo:

- Vamos comprar um sistema operacional Microsoft e teremos que pagar por atualizações de antivírus Microsoft?

- O MS-DOS não é seguro o suficiente? Então, a Microsoft está assumindo que o software não é seguro?

O que aconteceu adiante foi uma pressão para a Microsoft responder a estas e a muitas outras perguntas. Mas o maior problema era outro. Imagine a seguinte situação:

"Meu computador foi infectado por um vírus, então a Microsoft pode "atacar" as empresas de antivírus e dizer que as mesmas não fazem um bom trabalho, pois estão deixando brechas e não fazem detecção e remoção de vírus corretamente. E do outro lado, as empresas de antivírus podem "atacar" a Microsoft, dizendo que é a culpada por não criar sistemas seguros etc."

Como na época, a Microsoft desenvolvia o sistema operacional MS-DOS e também tinha antivírus próprio, não mais poderia "atacar" ninguém, já que havia "puxado" a responsabilidade para si, pois garantia o desenvolvimento do sistema operacional e também da segurança dele, leia-se antivírus.

Esta mesma situação aconteceu em 2005, quando o assunto sobre "rootkits" ganhou destaque e a Mcafee - uma das maiores empresas de antivírus do mundo - disse que "Rootkit não é problema de antivírus".

Isto mostra que, caso o antivírus não consiga identificar determinado malware, ela pode "atacar" a Microsoft, dizendo que o sistema não é seguro e vice-versa. Como a Microsoft adquiriu empresas de segurança e também terá, novamente, seu antivírus próprio, ela está assumindo um risco e uma responsabilidade que já deram errado no passado e com isto, está repetindo o mesmo erro.

Sugiro à Microsoft mudar de idéia e deixar as empresas de antivírus cuidarem dos vírus, enquanto ela cuida do sistema operacional. Com isto, ambas irão ganhar. Se ela embutir outros artifícios no sistema operacional, de forma a garantir uma melhor segurança, pode dar mais resultado do que ter um antivírus próprio. O Service Pack 2 do Windows XP foi, sem dúvida, um grande avanço neste sentido. Que venham novos avanços, mas que não seja antivírus.

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