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Aproveitando essa abertura do Superdownloads para os jogos 3D, principalmente os mais antigos, vou escrever sobre o Quake que, com certeza, deu início à situação atual desse estilo de jogo. Há mais ou menos cinco anos atrás, foi lançado um jogo revolucionário, com ambientação realista e movimentos quase ilimitados, que exigia uma nova forma de controle do personagem e que invadiu o mercado, inicialmente de maneira lenta mas que, em pouco tempo, tomou conta do segmento. Assim surgia uma comunidade que tinha um único objetivo, jogar e trocar informações sobre o jogo.
Derivado do DOOM, o Quake 1 ao longo do tempo foi ficando obsoleto e assim foram surgindo atualizações, infelizmente não tão conhecidas pelas pessoas que não tinham um aprofundamento e, assim, foi perdendo força. As pessoas cobram gráficos bonitos, facilidade de gerenciar e alterar as opções, mas o Quake antigo não permitia isso, o menu tinha apenas funções básicas e, ao contrário dos novos jogos, não havia suporte para placas de vídeo com aceleração 3D. Existe o GlQuake, um patch que adiciona suporte ao API OpenGL. Aliás, o sucesso da primeira mais famosa placa 3D (Diamond Monster) foi garantido, testado e popularizado por ele. Para placas mais antigas ou incompatíveis com OpenGL existe uma versão de suporte para DirectX, mas não é tão estável e eficiente quanto o GL. Jogos como o Unreal Tournament têm uma comunicação inteligente e o Quake também não ficou atrás, existem proxys para remediar e também para melhorar a jogabilidade e evitar o LAG (lentidão e travamento na internet, causado por sobrecarga no servidor ou algum problema com a rede em si). Vocês podem se perguntar, pra que tudo isso por um jogo velho? A resposta é simples: Porque é o jogo mais legal e agitado que já foi lançado, diversão garantida. Particularmente posso falar que já joguei todos esses novos jogos, tais como Quake 2, Quake 3 Arena, Unreal Tournament, Half Life, Daikatana... e nenhum é tão divertido e eletrizante quanto o Quake 1! Além disso, as meio que pequenas e singelas comunidades (em comparação) que surgiram nos tempos de DOOM, bem locais, permitidas por jogo apenas em rede e por ligação modem a modem, explodiu e contagiou milhares em volta do mundo (e isso é muito difícil de se extinguir). Já que o Quake permite às pessoas se combaterem pela Internet, através do protocolo TCP/IP, também foi o primeiro jogo a aceitar modificações de uma maneira fácil, apenas trocando arquivos e modificando outros dentro dos PAKs (arquivos que contêm as características do jogo, modelos dos personagens e monstros), e tinha uma jogabilidade fantástica, exigindo muito mais habilidade. Rapidamente, pelo ambiente verdadeiramente 3D, o teclado deixou de ser usado como controlador do personagem, e o mouse passou a ser o principal instrumento (o esquema muda muito de jogador para jogador mas, geralmente, utiliza-se o teclado para andar com o personagem e o mouse para virar para os lados, mirar e atirar), e isso é a primeira coisa que um novato estranha até se acostumar com o uso da dupla mouse/teclado. As pessoas que eram amigas ou que tinham alguma afinidade no jogo se reuniam em grupos que, no início, eram apenas para jogar mas que, por consequência, acabaram criando uma grande amizade. Esses grupos são chamados de clãs ou como muita coisa tem influência norte-americana "clans". Alguns podem reclamar que o Quake é horrível para se jogar na Internet, mas existe uma atualização chamada Quake World (QW), que foi criada especialmente para Internet, tem um suporte muito melhor para diminuir o Lag e deixar bem mais dinâmico o jogo. Aliás, a maior e mais importante parte da comunidade joga QW e rolam muitos campeonatos através da Internet, e outros mais locais ou regionais, através de LAN. Em 1999, rolou um campeonato de nível nacional, vieram clans de todas partes do Brasil aqui para São Paulo, mais precisamente num galpão de Guarulhos, foi a maior rede temporária com essa finalidade em solo nacional, 227 pessoas pagantes e com certeza mais umas 50 "clandestinas" ou que foram só para conversar com o pessoal ou assistir durante os 3 dias que rolou a Lanparty (é realmente quase uma festa baseada no jogo). Essa comunidade Quaker (dos jogadores) é muito forte, a competição é uma marca bem grande, entre os clans há muitas rixas e desentendimentos. Existem dezenas de clans, e apenas uma pequena parte consegue ser denominada "elite", pelo motivo de serem mais fortes e terem mais chances de ganhar um campeonato e/ou partida. A QiB (Quakers in Black) é um desses clans de respeito. Como membro, posso dizer que o pessoal é muito unido e, mesmo tendo membros espalhados pelo Brasil, a gente se conhece pessoalmente e tem uma amizade de mais de 3 anos, o clan caminha em 2001 ao seu quarto ano de existência e, com certeza, é um exemplo de como o Quake uniu e permitiu que pessoas nesse país imenso se tornassem profundos amigos. Atualmente o pessoal não está tão ativo no Quake por estar meio desanimado com um campeonato que, por má organização, decepcionou. Continua na próxima página. |
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