É comum em salas de reunião em todo o nosso Brasil escutarmos palavras como "convergência", "target", "marketshare", "front-end" e mais comum ainda são as caras de interrogação das pessoas que ouvem tais palavras.
São longas horas de discussão entre pessoas que parecem falar idiomas diferentes, onde um fala e não diz nada e o outro não entende e diz que entendeu. Assim como em muitos outros casos, o que está acontecendo é que tais termos perderam seus significados e passaram a serem utilizados como ferramenta de marketing, pura propaganda.
Ao falar siglas, conceitos e jargões a pessoas de outras áreas cria-se uma idéia de profundo conhecimento, existem aqueles que dizem que seduz o cliente. A verdade é que por mais que se inventem novas palavras, o que você acaba comprando é sempre algo simples e aquém das expectativas.
Não questiono a importância de "convergir mídias", de apurar e conhecer o seu "target", de aumentar seu "marketshare" e de criar um "front-end" bonito e atraente. Não sou profissional de propaganda tão menos de marketing. O que eu questiono é até que ponto o consumidor vai se deixar cair em tentação por vocábulos e períodos bem elaborados.
A Internet, seus serviços, atividades e profissionais envolvidos estão com a credibilidade em queda livre, uma vez que o conhecimento técnico foi substituído pela lábia. Muito mais do que conhecimento de causa, hoje para sobreviver nesse mercado é necessário ter um dicionário sempre à mão. Não importa a qualidade do produto final, o cliente sempre vai achar que comprou um Rolls Royce da Internet quando na verdade está andando a pé.
Tal tendência só evidencia o fato de que a Internet brasileira caminha na mesma direção das emissoras de televisão, ou seja, daqui um tempo, navegar na Internet vai ser tão inútil quanto passar duas horas assistindo TV. Escritórios, fábricas, padarias, supermercados e uma infinidade de estabelecimentos comerciais compram tecnologia como se fossem "os maridos fazendo compra de mês".
Isso só mudará a hora que clientes e fornecedores mudarem suas atitudes. O cliente se comporta como um consumidor que não conhece as marcas e acaba comprando pela embalagem mais bonita e, os fornecedores gastam mais dinheiro na embalagem do que no processo de controle de qualidade do seu produto final.