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Speedy?! Pra que Speedy?

Relato verídico de um usuário de ADSL da Telefonica

Por Adriano Imperatore Ribeiro em 28/Mar/2003

Na TV é uma beleza! Basta um intervalo comercial, e lá está a propaganda do Speedy, toda pomposa, prometendo mundos e fundos para quem deseja assinar o serviço de conexão de banda larga da Telefonica. No site do produto, o mesmo carnaval: animações em flash com musiquinha, "uma maravilha". Na prática, porém, a história às vezes é bem diferente.

Fui um dos primeiros assinantes do sistema, que foi instalado na casa de meu pai, onde eu morava, em janeiro de 2000. Realmente não há como comparar a velocidade e o desempenho do Speedy, esmagadores diante de qualquer conexão dial-up, que eu utilizava anteriormente. A princípio, o sistema era bastante instável; sem mais nem menos caía a conexão, e o jeito era reiniciar o modem, o que chegava a acontecer diversas vezes por semana. Com o passar dos meses, porém, a estabilidade foi alcançada, e hoje não sou capaz de recordar quando foi a última vez que o problema aconteceu. Nessa época o serviço era realmente muito bom, sempre recomendava à todos. Depois de um tempo começaram as decepções, infelizmente.

No começo, todas as portas eram liberadas, o que me permitia instalar servidores diversos em minha máquina, como HTTP, FTP, e-mail, e etc. De uma hora para outra, a Telefonica resolveu bloquear as portas padrão desse serviço, alegando que quem quisesse instalar servidores teria que utilizar um novo produto, o Speedy Business. Ou seja, eu continuava pagando o mesmo preço, mas por outro produto e, se quisesse utilizar o serviço que eu já tinha anteriormente, ou seja, o Speedy com as portas liberadas, teria que migrar para o Speedy Business, bem mais caro. Que legal... Mas isso não me afetou. Como somente as portas padrão estavam liberadas, bastava configurar os servidores para disponibilizarem seus serviços em outras portas. O serviço FTP, por exemplo, passou a responder pela porta 4021, ao invés da 21 padrão. Não dá para entender o motivo disso, qualquer servidor de FTP que você instala e roda é ridiculamente fácil configurar as portas!

A invenção a seguir foi a mais polêmica até hoje. A grande palhaçada da história é uma regulamentação protecionista da Anatel que determina que operadoras telefônicas não podem fornecer acesso à Internet. Deste modo, sempre foi "obrigatório" pagar também, além da Telefonica, um provedor web, que tecnicamente não têm função nenhuma. Como é a própria Telefonica quem fornece o IP, e não os provedores, muitos assinantes assinavam o provedor, mas nunca mais pagavam pelos "serviços não prestados". Os provedores não podiam fazer absolutamente nada, pois não tinham o poder de cortar o acesso desses assinantes. Deste modo, a Telefonica mais uma vez criou um novo serviço não solicitado: a necessidade de autenticação.

Por minha vez, novamente não fui atingido, pois somente as novas instalações seriam obrigadas a autenticar-se para obter acesso à Internet. Com a autenticação, mais um problema. Meu IP deixou de ser estático para tornar-se dinâmico, via DHCP. Ou seja, o Speedy já era um produto totalmente diferente do conhecido pelos assinantes da "minha época". Estável sim, mas cheio de frufrus protecionistas, desnecessários e abusivos. O mais esquisito é que existem ainda milhares de ADSLs mesmo com autenticação que possuem ainda IP estático e portas abertas. Novamente, dois pesos, duas medidas. Não entendo isso.

Foi então que, por motivos pessoais, mudei-me para Vila Velha (ES), no começo de 2002. Tive alguns problemas relacionados à demora na instalação do Velox, da Telemar. O Velox, para quem não conhece, também é um sistema ADSL, e também exigia autenticação. Um saco! Mas fazer o que?

No meio de 2002, mudei-me novamente, dessa vez para Volta Redonda (RJ). A única opção de Internet rápida na cidade é o acesso via rádio. Como fui morar um edifício que já possuia a antena necessária, não precisei pagar por ela, que custa mais de mil reais. Assinei com o provedor SuperOnda, cujo plano básico é um link bidirecional de 64 KB, por R$49,00 mensais. Mas para quem já utilizou conexão de 256 KB, retornar a 64 seria um retrocesso enorme. Acabei assinando uma conexão de 256 KB, por quase R$350,00 por mês. Fazer o que? Não havia outra alternativa...

Foi a conexão mais rápida que já conheci, especialmente no upload, e também bastante estável. Mas o atendimento deixava muito a desejar. O cache do provedor estava configurado de maneira muito estranha, de modo que demorava minutos, ou horas, para que eu pudesse ver alguma alteração, no Superdownloads ou em outros sites. Enviava e-mails reclamando ao suporte, que nunca eram respondidos... Que saudade do Speedy, nisso pelo menos era bom. Ouvidoria, gerente num-sei-do-quê, atendimento, muito bom mesmo.

Continua na próxima página.

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