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Embora já tenha feito grandes burradas, como você verá no decorrer desta matéria, hoje acho que posso me considerar alguém experiente no que se refere a upgrade, pois já passei por esse processo pelo menos quatro vezes. Poderia ter passado por muitos outros, tive meu primeiro contato com a informática em 1982, quando tinha apenas dez anos, mas não me interessei: os tais computadores não passavam de máquinas de calcular metidas a bestas. Vou dedicar este parágrafo para que você tenha uma idéia da desgraça, que era ainda pior que o 5150 que o Alexei descreveu na matéria Parabéns, PC!. A CPU e o teclado eram uma peça única. Mouse, então, nem existia. O monitor era a própria televisão, que se conectava à CPU por meio de um cabo e um adaptador, como se fosse o Atari, tão popular àquela época.
O Sinclair 1000 que meu pai trouxe para casa tinha 2 KB (isso mesmo, 2K) de memória e, para salvar algum programa, bastava um gravador com fita cassete comum. Era uma beleza: "meia hora" pra salvar um programinha besta qualquer (que você mesmo programava em Basic, pois era raridade encontrar programas prontos) e, quando tentava-se carrega-lo novamente, sempre dava erro. Programas e jogos, aliás, não tinham gráficos ou, no máximo, uns quadrados bem feios, unidos na ridícula tentativa de formar uma figura. Sons, nem pensar! Nem é preciso dizer que eu odiava os computadores e deles queria distância máxima. Meu irmão, pelo contrário, se apaixonou de imediato, e dedicava todo o tempo livre ao tal computador. Os anos foram passando, e os upgrades também. Naquela época, fazer um upgrade era tão somente comprar um novo computador, não existia a possibilidade de incrementar um aparelho já existente. Meu irmão teve de tudo: IBM PC-AT, IBM PC-XT, Commodore 64, MSX, ZX Spectrum, e sei lá mais o que. Houve um tempo que tínhamos oito desses lix..., digo, computadores, em casa. Eu continuava alheio a tudo, e nem mesmo algumas novidades, como as impressoras matriciais, conseguiam despertar meu interesse pela informática. No colégio, tive aulas de informática e detestava: passei de ano na matéria apenas porque colei no exame final. :) Em 1995, no entanto, algo me chamou a atenção. Arrumei um emprego em uma revendedora de informática e, pela primeira vez em minha vida, tive contato com o Windows 3.11, rodando em um 486-DX2 66, com impressora a jato de tinta e kit multimídia. Aí sim me apaixonei e, mesmo sabendo que a informática ainda não era uma maravilha, considerei a hipótese de ter um desses para mim. Foi o que fiz, comprei um 486-DX2 66 com impressora a jato de tinta, kit multimídia... e Windows 95. Uau! Paralelamente, meu irmão, que já havia passado pelos 286 e 386 da vida, comprou o computador mais poderoso que tive notícia àquela época. Enquanto o padrão de mercado era o Pentium 133, ele pilotava um Pentium Pro 200, com 64 MB de RAM, HD SCSI de 4.3 GB, placa de vídeo 3D com 4 MB. Fui percebendo que fiz bobagem: o 486 ainda era uma máquina de calcular metida a besta. Enquanto tudo rodava bem e sem problemas nos pentiuns, eu tinha limitações seríssimas, então passava o dia inteiro jogando Doom, que era a única coisa que aquela máquina conseguia fazer direito, sem me dar problemas. Se bem que eu me ajudava a ter problemas: meu HD não atendia em nada às minhas necessidades, e de tempos em tempos, eu utilizava aquele recurso de compactação de dados do Windows 95 (Double Space), que ficava a noite inteira compactando a unidade, empobrecendo em muito o desempenho. Cheguei a enfiar quase 2 GB de dados em um HD de 500 MB, mas a cada pouco "dava pau", e eu tinha que formatar e reiniciar do zero. Apesar disso me dar uma experiência fundamental para ser o que sou hoje, era hora de mudar... Eu não aguentava mais o 486, precisava de um Pentium, custasse o que custasse. E foi então que, em 1997, a Intel anunciou o lançamento do Pentium II. E o Pentium Pro de meu irmão definitivamente já não era mais o top de linha. Combinamos que eu o ajudaria a comprar o Pentium II, mas o Pentium Pro passaria a ser meu. Maravilha! Compramos apenas um gabinete ATX, o processador e a placa mãe, de modo que tudo o que estava no Pentium Pro, como placas de vídeo e som, controladora e HD SCSI, passou para o Pentium II. Da mesma forma, tudo o que eu tinha no 486 passou para o Pentium Pro, e isso limitava-se a uma placa de vídeo ISA de 512 KB e um kit multimídia Creative Sound Blaster 16. Comprei também um HD novo, Quantum BigFoot de 4.3 GB. Naquela época, ainda precisávamos de técnicos para fazer esses serviços básicos, e foi uma longa semana de espera. Até sonhava com o Pentium Pro... Meu, só meu!!! Continua na próxima página. |
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