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ocê disse, na segunda parte da matéria sobre o Windows XP, que "a sobrecarga do sistema NTFS é bastante alta". O que seria isso?
Significa que é impossível formatar com NTFS partições com menos de aproximadamente 50 MB. Para se ter uma idéia, a sobrecarga da FAT é muito menor, sendo possível formatar partições com menos de 1 MB, o que a torna a única escolha para a formatação de disquetes.
Os antigos jogos baseados em DOS funcionam no Windows XP? Ou a Microsoft esqueceu-se completamente de nós, jogadores?
A questão é bastante complexa, pois torna-se necessário compreender os motivos que levam a Microsoft a desenvolver um sistema incompatível com certos padrões anteriores. Na época do DOS, muitas vezes os próprios programadores incluíam instruções em seus programas que permitiam que o software "conversasse" diretamente com o hardware. Ou seja, o próprio programa exigia uma área específica da memória, utilização do processador, placa de vídeo, e etc. Isso funcionava bem no DOS puro, pois esse é um sistema monotarefa. A partir do Windows 95, essa característica tornou-se problemática pois, muitas vezes, dois ou mais programas acabavam compartilhando os mesmos recursos, pois fizeram as mesmas requisiçôes para o hardware. O resultado é bastante conhecido por todos: as famosas Blue Screen Of Death, mais conhecidas como telas azuis, e também problemas que geravam aquela mensagem típica, "Este programa executou uma operação ilegal e será finalizado (...)".
O NT é incompatível com DOS e trouxe, pela primeira vez, um recurso que simplesmente impede o programa de "conversar" diretamente com o hardware, pois o responsável por esse gerenciamento é o próprio NT, cuja decisão certamente é mais apropriada. Na época, elogiava-se a performance e estabilidade do sistema, mas choviam críticas de que jogos eram simplesmente incompatíveis, exceto os desenvolvidos para Windows 32 bits, e que utilizavam o DirectX como, por exemplo, o Diablo.
 Recurso de Compatibilidade |
Como alternativa, o NT trazia máquinas virtuais, que "enganavam" os softwares produzidos para DOS, Windows 16 bits (3.11), ou mesmo Windows 32 bits (95). Sempre que um programa desenvolvido para essas plataformas tentava "conversar" diretamente com o hardware, as máquinas virtuais simulavam se-lo, procurando disponibilizar os recursos da melhor maneira possível, de modo a não afetar a estabilidade e confiabilidade do sistema. Como isso nem sempre era possível, muitas vezes a execução de programas, especialmente jogos, era simplesmente negada e ignorada pelo NT. Evidentemente, o nível de fracasso era elevado, típico de versões iniciais, mas esse recurso foi sendo aprimorado com o tempo. No Windows 2000 já estava mais compatível, e no XP está quase perfeito.
O recurso de compatibilidade está mais transparente aos usuários do XP. Se um programa apresentar problemas, você poderá clicar em seu executável com o botão direito e escolher Propriedades. Aparecerá uma nova tela, com uma aba específica chamada Compatibilidade, onde será possível selecionar um sistema anterior, entre Windows 95, 98/Me, NT SP5, e 2000, para iniciar o modo de compatibilidade acionando a máquina virtual mais adequada. Esse recurso está muito bom, mas ainda apresenta problemas. Nos testes realizados, tive problemas com um emulador de atari. Testei também os seguintes jogos: Blood, Doom II, Duke Nukem 3D, Final Doom, Quake e Ultimate Doom, todos eles desenvolvidos até 1997, e só não consegui rodar o Quake - justo o Quake!!! :(
Existe uma ferramenta específica, Microsoft Windows XP Application Compatibility Toolkit 2.0, que será capaz de eliminar o problema em algumas situações (mas não em todas), porque analisa o que o programa está tentando executar e gera as variáveis de ambiente para que seja possível roda-lo no XP. Essa ferramenta já vem no CD do XP mas, em caso de problemas, poderá ser baixada separadamente pela Internet.
Enfim, pode ser que o XP não rode programas e jogos que consideramos importantes. O Quake, para mim, é religião! Mas, convenhamos, é um jogo antigo, de quase 6 anos, e não posso querer comprometer a estabilidade do sistema para torna-lo compatível com padrões obsoletos. Querendo ou não, é um jogo desenvolvido para DOS, que exige administrar as próprias requisições ao hardware.
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