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Nos meses finais de 1.999 eu trabalhava em uma empresa que utilizava (e ainda utiliza) um programa de gerenciamento e andamento de documentos feito em Clipper. E como havia a euforia do bug do milênio meu gerente estava estudando como fazer para compatibilizar seu sistema para o ano 2.000 junto à empresa que havia desenvolvido o tal software.
Eram meados de julho de 1.999 e a empresa disse que já estava em andamento a atualização "for windows" do sistema e que ele não precisava se preocupar. Tudo bem até final de novembro quando a empresa pediu um prazo até o início de fevereiro de 2.000. O software simplesmente controlava todo o andamento de todos os documentos internos da empresa e não dava simplesmente para parar a empresa por pouco mais de um mês. Eis que meu gerente muito preocupado me questionou sobre a possibilidade da conversão do sistema para o ano 2.000. Eu lhe disse que o Clipper não sofria desse mal, apenas os programadores se "esqueciam" de compatibilizar seus sistemas para o Y2K. Ele me olhou sem entender o que eu havia dito e perguntou como poderia ser isso? Respondi que bastava colocar apenas mais uma linha de programação no módulo principal e recompilar o sistema. Como os programas-fonte estavam conosco (por meio de um contrato prévio com a empresa desenvolvedora) eu mesmo fiz a "modificação milagrosa" incluindo o "SET EPOCH TO", muito conhecido dos "clippeiros", alterando a janela para 1.980 já que não havia documentos anteriores a 1.995 (época da implantação do sistema). Ou seja, o sistema tem agora o "bug do ano 2.080", mas até lá já devem ter atualizado o tal software. Esta introdução serve apenas para elucidar que o xBASE foi feito para durar. Linguagens mais novas como o VB ou o Delphi em suas primeiras versões não reconheciam o ano 2.000 e nem permitiam a troca da "janela de virada de século". Pior ainda é o próprio Windows já na versão 95 A não ser compatível com o ano 2.000. Com o advento das linguagens visuais caiu um pouco a produção de sistemas xBASE em suas telas caractere (em janelas DOS). Mas ainda existem muitos sistemas grandes em uso como o COLIBRI (conhecido sistema paulista de automação comercial feito em Clipper), o SICREDI (um sistema rio grandense para automação de cooperativas) e muitos outros que ainda hoje são vendidos. Não podemos nos esquecer que estes sistemas "rodam" muito bem em computadores antigos como 386 e 486 que são o sonho de todas micro e pequenas empresas que não podem gastar com máquinas superiores, mesmo um já "antigo" Pentium MMX. Devemos lembrar das empresas símbolo de sistemas xBASE, as vídeo-locadoras. Além de continuarem a utilizar seus sistemas xBASE existem aquelas que ainda estão abrindo suas portas e que contam com computadores até da época dos 286 (pasmem). E não são apenas as vídeo-locadoras, a grande maioria de micros e pequenas empresas como confeitarias, panificadoras, açougues, etc, optam por não investir muito em tecnologia. Não porquê não querem, mas porquê não podem. E daí? O que fazer? Não há outra solução a não ser "pôr para rodar" um sistema caractere em uma máquina antiga (mas não obsoleta). Continua na próxima página. |
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